quinta-feira, 13 de julho de 2017

Um desses carinhas

Fico me perguntando se ele sente minha falta ou mesmo se ainda lembra de mim. Será que tem vontade de mandar mensagem e perguntar como as coisas estão?  Será que me procura nas redes sociais para saber se estou on-line? Assim como eu lembro dele?


Outro dia, vi que um desses carinha ainda lembrava de mim. Lá estava ele respondendo num post de uma menina. Dizia que havia  ficado com alguém (no caso eu) que fazia aniversário no mesmo dia que ele (me parece que ela também era da mesma data). Mas ao final da resposta, ele afirmava que ela não se preocupasse, porque só amava mesmo a fulana do post.



Respirei. Li aquilo mais uma vez e lancei o foda-se. Vou exclui-lo da minha vida. Nada de interação Facebookiana com ele.



Mais eis que um desses carinhas me enviou mensagem dizendo que estava na minha cidade, sugeria que queria me ver. 



Primeiro tomei aquilo como apenas uma mensagem de educação. Não sei o que aconteceu no passado, mas uma rusga se instalou entre nós (mesmo antes do episódio do post). Por mais que ele afirmasse sermos amigos, sempre o sentia diferente comigo, não me quis por perto quando sugeri irmos a uma festa de Carnaval juntos (e em turma). Aliás, mentiu dizendo que não ia e foi.



Uma amiga me convenceu do contrário. Era possível que ele quisesse mesmo esse encontro. Era paranóia minha essa ideia de ressentimento. Ele também tinha mandado mensagem pra ela, queria juntar a galera. Nem eu e nem ela estávamos na cidade e só chegaríamos no sábado.



Pois bem, quando cheguei no sábado, mandei uma mensagem bem despretensiosa para um desses carinhas. Já sabia que não daria em nada. Ele tinha compromisso naquele dia, mas enfatizou que fazia questão de me ver. Acho que como forma de compensar o fato de eu, numa dessas vezes, ter me deslocado 2 mil km só para encontrar com ele.



Insisto mais uma vez, afinal queria saber até onde iria a mentira. Ele me responde um dia e meio depois com um simples "Estou indo para Jeri com o pessoal". Ora de ligar o foda-se de novo. Visualizo a não respondo a mensagem. Embora quisesse perguntar a ele se eu tinha cara de idiota, porque minha amiga já tinha me dado toda a agenda dele. 



Bom, se for para ser lembrada como um desses carinhas lembra de mim, melhor mesmo é ser esquecida. Não sei vocês, mas ando tão cansada de gente mentirosa, mesquinha, vaidosa, sem um pingo de responsabilidade com outro. 



Fico pensando que esses caras querem que a gente corra atrás deles como se fossem a última coisa do mundo e ficam magoados quando não fazemos isso. Tô numa fase que se me diz "não", não faço o menor esforço para ficar, porque sei que outros virão e o ciclo se reinicia.

Caminhos incertos

Confesso que tem sido bem difícil fazer um doutorado em tempos tão sombrios, incertos e escassos. De repente, você escolhe um caminho e se prepara para ele, mas não tem mais certeza se quer seguir por ali, embora você goste do que faz. 


A questão é que você não iniciou esse caminho há dez minutos, mas há quase dez anos. Dez anos! Uma década dedicada a perseguir um objetivo. E com isso vem as crises de ansiedade, as frustações e uma enxurrada de artigos sobre como o país está formando um "exército de doutores" desempregados. 



As ciências humanas está em constante ataque. Querem determinar que o que se faz não é ciência, porque ciência mesmo é o que produz tecnologia, desenvolvimento, lucro e mais lucro. Pensar as relações sociais, pensar os efeitos comunicacionais, as subjetividades, etc, etc. Nada disso dá lucro. Ao contrário, a narrativa que se está construindo é de que cada vez mais se produz algo sem importância, que o país está perdendo com isso. 



É um discurso que esconde outro tipo de manobra perigosa: a de censura ao pensamento social, sob a falsa premissa de barrar uma doutrinação marxista-petista-esquerdista-gayzista. Enterram, assim, anos de tentativas epistemológicas e ontológicas de firmar os campos ligados a essa área. 



Dá uma tristeza em pensar que estamos regredindo.