quinta-feira, 13 de julho de 2017

Caminhos incertos

Confesso que tem sido bem difícil fazer um doutorado em tempos tão sombrios, incertos e escassos. De repente, você escolhe um caminho e se prepara para ele, mas não tem mais certeza se quer seguir por ali, embora você goste do que faz. 


A questão é que você não iniciou esse caminho há dez minutos, mas há quase dez anos. Dez anos! Uma década dedicada a perseguir um objetivo. E com isso vem as crises de ansiedade, as frustações e uma enxurrada de artigos sobre como o país está formando um "exército de doutores" desempregados. 



As ciências humanas está em constante ataque. Querem determinar que o que se faz não é ciência, porque ciência mesmo é o que produz tecnologia, desenvolvimento, lucro e mais lucro. Pensar as relações sociais, pensar os efeitos comunicacionais, as subjetividades, etc, etc. Nada disso dá lucro. Ao contrário, a narrativa que se está construindo é de que cada vez mais se produz algo sem importância, que o país está perdendo com isso. 



É um discurso que esconde outro tipo de manobra perigosa: a de censura ao pensamento social, sob a falsa premissa de barrar uma doutrinação marxista-petista-esquerdista-gayzista. Enterram, assim, anos de tentativas epistemológicas e ontológicas de firmar os campos ligados a essa área. 



Dá uma tristeza em pensar que estamos regredindo. 

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