sábado, 2 de maio de 2009

Status de maio

Tudo de novo
E de novo
Não é novo
Eu aguento?

Das sensações

Sensações me invadem
E se esvaecem a toda hora
Sinto que estou perdendo o que nunca tive
Mas sempre foi meu
Perco sem que nenhuma palavra tenha sido proferida
E o silêncio dói
Porque me silencia o coração
Não posso gritar
O grito significa a partida definitiva
Me conforto e me consolo no silêncio

domingo, 5 de abril de 2009

Descartes Marques Gadelha

A invisibilidade dos seres
e a miserabilidade humana:
exorcizando os fantasmas sociais.


Isabelle Azevedo Ferreira

Uma profusão de cores salta aos olhos. Vão se misturando espontaneamente para dar tonalidade aos delírios que pulsam na mente do pintor, escultor, compositor e músico Descartes Marques Gadelha. Numa esquizofrenia artística, a arte dá forma aos fantasmas que só ele parece vê. Estão por todos os lugares: nas esquinas da cidade de Fortaleza, catando lixo ou submersos nas águas do açude que encobriu a antiga cidade de Canudos, na Bahia, o Cocorobó.

Os primeiros fantasmas vistos por Descartes foram presente do pai, Diderot Gadelha, ao dar ao filho o livro Os Sertões, do escritor Euclides da Cunha. Como um portal, o livro era a passagem para o universo da Guerra de Canudos (1896-1897). Era ali, através da obra euclidiana, onde Descartes encontrava-se com uma Canudos que ele não conhecia, percorria a procissão comandada pelo beato Antônio Conselheiro ou observava a colheita e os festejos da antiga cidade.

Trinta anos se passariam para que os espíritos fossem inteiramente exorcizados, resultando num grandioso trabalho de mais de cem pinturas, oitenta esculturas e algumas xilogravuras, com a exposição Cicatrizes Submersas (1997). Para se livrar de vez de toda a angústia que sofria com os fantasmas canudenses, o acervo foi doado para o Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (MAUC).

Contudo, Descartes não abandou outros universos. Flanando pela Fortaleza das misérias, descobriu seres invisíveis do cotidiano. Os primeiros invisíveis foram descobertos ainda nas casas de prostituição, na década de sessenta. Na virada do século XXI, com romantismo deixado de lado, a prostituição ganha status de total mercantilização do corpo. Nas periferias da cidade, jovens e crianças oferecem o corpo em troca de dinheiro.

O segundo momento percebido sobre a invisibilidade dos seres deu - se num rompante de paixão. Descartes queria pintar um pôr – do – sol. Claro! Quem não gostaria de ganhar o mais belo dos pores-do-sol? Mas, ao mudar a direção do olhar, tudo que avistou foi uma imensa população buscando no lixo o sustento do corpo. O sol parece que jamais havia nascido para aquelas pessoas. Um espetáculo onde não havia beleza, mas a vida estava instaurada.

Tão logo, aquele senhor robusto, de tez serena, o “burguesão”, como ele gosta de se intitular, estava instalado no Jangurussu, convivendo e conhecendo de perto a realidade do lugar. Por quase dois anos, pintou tudo o que viu por lá.

Descartes encara a miserabilidade humana de frente ao atravessar a caverna e perceber que a luz daquele mundo é artificial. Tudo pode ser desfeito ao menor toque, como se caos estivesse pronto a ser estabelecido. Ao invés de fechar os olhos para os problemas, escancara-os numa tentativa de denunciar as chagas da cidade.

O artista cria universos paralelos que se entrecruzam e dialogam entre si. A imagem, apesar de estática, ganha força e repercute no imaginário de cada um. A luta pela sobrevivência em Canudos, por exemplo, é a mesma luta existente no Jangurussu. Mudam-se apenas os personagens e os contextos sócio-históricos, mas a luta permanece.

Quando os fantasmas não podem ser vistos, mas apenas ouvidos, é na música que Descartes os exorciza. A voz grave, porém serena, entoa cânticos de homenagem aos orixás. No carnaval, as reverências aos santos afros vêm na forma de Loas, música típica do Maracatu.

Não se sabe ao certo se a arte designou Descartes Marques Gadelha para o mundo ou se o mundo o designou para a arte. O fato é que o artista faz da arte um universo paralelo. Olhos e ouvidos são treinados para perceber os fantasmas e, tão logo, exorcizá-los.

*Perfil escrito para a disciplina de Laboratório de Jornalismo Impresso. A Entrevista com Descartes Gadelha será prublicada na Revista Entrevista N°21, uma publicação do sétimo e sexto semestres do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Dificílimas II

Uma onda de felicidade invande a vida e se espraia... Até quando?

terça-feira, 17 de março de 2009

Borboletas

"Me recolho e volto ao meu mundo. Porque é só meu, tem que voltar pra mim".
[Inclemência, música na voz de Zélia Duncan]

quarta-feira, 4 de março de 2009

Mangal das Garças/Belém-PA



domingo, 1 de março de 2009

Chuva de pensamentos

Ao invés do abraço de sempre, um oi apressado como se saisse forçado. O olhar, meio torto, enviesado, demonstrava todos os esforços para ser indiferente. Passou correndo como se o fim do mundo estivesse preste a acontecer com a chuva que caia.

Ela ficou ali parada de guarda-chuva na mão. Esperava que ele voltasse e lhe desse o abraço habitual e o sorriso mais lindo de todos voltasse a estampar o rosto que agora se tornara tarciturno. No fundo, estava sofrendo mais do que ela. Jamais admitiria isso. Preferia puni-la por conta de um punhado de coisas ditas no calor da discussão.

A chuva não o deixou ir muito longe. Parado embaixo de uma laje, ele continuava a fingir indiferença. Seus olhos não a procuravam como antigamente. A raiva estava instaurada . Cabeça dura! Não via que tudo aquilo era desnecessário? Que se quisessem poderiam ser felizes?

Ela caminhou na direção contrária. Desejou jamais tê-lo encontrado naquele instante e nem nunca. Só desejou. No fundo era sempre bom vê-lo. Sentia sua falta. Queria ficar nem que fosse um milésimo de segundo perto dele. Oh, Deus! Como podia pensar assim!

Um turbilhão de pensamentos invandiu-lhe a mente. Lembrança dos bons momentos. Ficava se perguntando onde fora parar todo o carinho que tinham um pelo outro.Lembrou-se da vez em que as mãos se tocaram pela primeira vez. Nossa! Poderia sentir o coração dele pulsando!Também era possível sentir o nervosismo. Os gestos rápidos de carícia demonstravam isto. Agora, era a dor quem tomava conta de si. E doía tão profundamente, porque a pior dor é a da perda de quem está vivo.

Olhou para trás mais uma vez. Ele já não estava mais ali. Sumira tal qual a chuva, que também havia desaparecido. Quem sabe se ela olhasse para frente ele não sumia de vez? Mas não era isso que ela queria...

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Carnaval

No meio de tanta alegria é o vazio que não cala
No meio de tanta folia é a saudade quem fala
No meio da animação é a ausência quem canta o hino da solidão
Logo, logo tudo volta a ser cinzas...