terça-feira, 17 de março de 2009

Borboletas

"Me recolho e volto ao meu mundo. Porque é só meu, tem que voltar pra mim".
[Inclemência, música na voz de Zélia Duncan]

quarta-feira, 4 de março de 2009

Mangal das Garças/Belém-PA



domingo, 1 de março de 2009

Chuva de pensamentos

Ao invés do abraço de sempre, um oi apressado como se saisse forçado. O olhar, meio torto, enviesado, demonstrava todos os esforços para ser indiferente. Passou correndo como se o fim do mundo estivesse preste a acontecer com a chuva que caia.

Ela ficou ali parada de guarda-chuva na mão. Esperava que ele voltasse e lhe desse o abraço habitual e o sorriso mais lindo de todos voltasse a estampar o rosto que agora se tornara tarciturno. No fundo, estava sofrendo mais do que ela. Jamais admitiria isso. Preferia puni-la por conta de um punhado de coisas ditas no calor da discussão.

A chuva não o deixou ir muito longe. Parado embaixo de uma laje, ele continuava a fingir indiferença. Seus olhos não a procuravam como antigamente. A raiva estava instaurada . Cabeça dura! Não via que tudo aquilo era desnecessário? Que se quisessem poderiam ser felizes?

Ela caminhou na direção contrária. Desejou jamais tê-lo encontrado naquele instante e nem nunca. Só desejou. No fundo era sempre bom vê-lo. Sentia sua falta. Queria ficar nem que fosse um milésimo de segundo perto dele. Oh, Deus! Como podia pensar assim!

Um turbilhão de pensamentos invandiu-lhe a mente. Lembrança dos bons momentos. Ficava se perguntando onde fora parar todo o carinho que tinham um pelo outro.Lembrou-se da vez em que as mãos se tocaram pela primeira vez. Nossa! Poderia sentir o coração dele pulsando!Também era possível sentir o nervosismo. Os gestos rápidos de carícia demonstravam isto. Agora, era a dor quem tomava conta de si. E doía tão profundamente, porque a pior dor é a da perda de quem está vivo.

Olhou para trás mais uma vez. Ele já não estava mais ali. Sumira tal qual a chuva, que também havia desaparecido. Quem sabe se ela olhasse para frente ele não sumia de vez? Mas não era isso que ela queria...

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Carnaval

No meio de tanta alegria é o vazio que não cala
No meio de tanta folia é a saudade quem fala
No meio da animação é a ausência quem canta o hino da solidão
Logo, logo tudo volta a ser cinzas...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Pardos


O gato mia ao longe, anunciando que a noite é sua. Eles são felizes. Enquanto boa parte da população dorme, é na noite que encontram a vida em sua plenitude. O silêncio, o ar puro, a lua, os amigos, o sexo, as paixões... Os gatos é que são felizes. Sinto falta da noite...

Direcionadas 10.

"Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos. Como um deus e amanheço mortal. E assim, repetindo os mesmos erros, dói em mim. Ver que toda essa procura não tem fim. E o que é que eu procuro afinal?" [O silêncio das estrelas, Lenine]

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Cidadãos do mundo: univo-os!

Bem vindos "Cidadãos do Mundo". A frase do outdoor escrita em diversas línguas saudava os participantes que chegavam para a 9° edição do Fórum Social Mundial(FSM) em Belém, no Pará. Numa perspectiva global, o Fórum convidava a todos e a todas para deixar a cidadania nacional de lado e se unir a chamada por um outro mundo possível onde as fronteiras (linguísticas, físicas, culturais...) inexistem, prevalecendo a igualdade entre os povos ou ainda a soberania de cada povo.


Realizados entre os dias 27 de janeiro e 01 de fevereiro, em território amazônico, o FSM reuniu diversos grupos para debater os rumos de um planeta cuja crise não é apenas ecônomica, é também social e ambiental. Foram muitas expectativas para o evento que debateu os rumos do planeta.Mas tudo ficou apenas na expectativa.O outro mundo possível ficou para uma próxima vez.

O Fórum Amazônico foi marcado pela descentralização. Tendas divididas por temas fizeram com que a transversalidade temática, tal qual apregoado no paradigma holístico, não acontecesse. O FSM acabou virando mais um encontro das organizações que militam em prol de causa x ou y.

As lutas locais foram muito mais visíveis do que a própria luta global. Uma troca de experiências importante mas que não se configurou em um projeto maior. A idéia que se teve é que cada um queria gritar a sua luta, a sua ideologia, a sua palavra de ordem, enquanto a luta por um outro mundo se esvaia. Até o Sindicato dos Servidores Públicos de Fortaleza (Sindfort) esteve presente, distribuindo material contra a Prefeita de Fortaleza Luizianne Lins. O que se pretendia em uma escala global? Pensar local e agir globalmente - máxima tão enfaticamente repetida pelo movimento ambientalista - é uma das idéias que mais deve ser levada em conta para a mudança sistêmica almejada.

O Fórum também mostrou como a divisão da esquerda e o surgimento de um outro partido tem dividido também os movimentos sociais. A luta acaba sendo apenas contra o Governo Lula, pois parece não haver alternativas ou caminhos a serem seguidos em busca de um diálogo ou consenso com o governo. Aliás,Os movimentos não querem ouvir Lula. Boicotado na atividade dos Presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Rafael Correira (Equador), Fernando Lugo (Paraguai) e Evo Morales (Bolívia), acabou sendo ovacionado horas depois em outro evento em que participaram os mesmo presidentes já citados. Uma mostra da força de sua aprovação e de que o modelo de desenvolvimento empregado no seu governo, insustentável do ponto de vista ambiental, deverá eleger Dilma Rousseff.

Um outro mundo possível não deve aguardar o próximo Fórum. Faz-se urgente a mudança de paradigmas. Essa mudança se faz na tentativa de entender a idéia de cidadão do mundo, divulgada nos outdoors. Ou melhor, a idéia de cidadão planetária, uma denominação mais abragente e não tão ligada a dimensão froteiriça. Mais do que romper fronteiras, é preciso entender que tudo está interligado numa complexidade própria e que todos estão relacionados. Se o clima muda, são as mulheres,crianças e jovens é que vão sofrer no futuro. Isso se continuar o modelo opressor que predomina. Tudo vai depender de quando começaremos a mudança desse outro mundo que queremos.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Voltei bem dodói do Fórum. Dias de muita chuva, andanças, cervejas e pouca dormida. Depois posto as minhas impressões de lá.