terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Pintura sem guache nem tinta fresca

O encantor de Borboletas atrai os enamorados. Coisas de quem não tem o que fazer no Photoshop.
(Mentira. Fiz no primeiro semestre como trabalho final de uma disciplina da faculdade onde a gente aprende a usar o photoshop)

22

Sexta-feira, dia 19 de de dezembro, faço 22 anos. Aviso logo: não haverá festas. Ando chata, enjoada, mal-humorada, sem clima para festa. Talvez seja a idade chegando. Talvez... Nem tem o que comemorar... Vou beber no máximo uma cerveja.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Dina Maria Martins*

O tornar-se mulher na história
de uma sertaneja que desafiou
a estrutura patriarcal secular


Isabelle Azevedo Ferreira



A água do café demora a ferver. Parece uma eternidade. Do lado de fora da cozinha, o sertão já está fervendo. A Fazenda Barra do Cancão, situada a 33 km de Canindé, município localizado no Sertão Central do Ceará, há muito iniciou a jornada de trabalho. Os animais já partiram para o pasto. Vez por outra, é possível ouvir o trotar dos cavalos, e os vaqueiros tangerem os animais. A menina escuta tudo atentamente. Tem vontade de largar o mundo hostil que lhe é a cozinha para se incorporar ao mundo das vivências sertanejas. De fato, Dina Maria Martins não ficou só na vontade. Largou a hostilidade dos afazeres domésticos para ir se incorporar ao âmago do sertão.

Foi rompendo estruturas predominantemente masculinas que a menina astuciosa, por vezes malcriada, tornou-se vaqueira e aboiadora. Tornou-se mulher. Afinal, como afirmou Simone de Beauvoir em O segundo sexo (1949), “ninguém nasce mulher, torna-se mulher”. Os indivíduos vão constituindo as identidades a partir da repetição dos códigos sociais matriciais. Dina, nascida cinco anos depois dos escritos, em 1954, desmistificou a lógica tão veementemente criticada pela escritora francesa.

A primeira barreira a enfrentar foi os homens da casa. Os sete irmãos opunham-se a ter uma irmã fazendo serviços de homem. Foi na figura paterna que a sertaneja encontrou o refúgio e o incentivo. O pai, José Martins da Silva, deu-lhe o inseparável companheiro de peripécias, o cavalo Estrelinha cujos banhos de juá renovava-lhe o pêlo. Martins ajudou ainda a alcunhar Dina como a “Mulher Vaqueira”.

Aos quatorze anos, o pai a incumbiu de ajudar a capturar a rês do vizinho. Não pensou duas vezes. Largou o café que tinha para fazer e foi lançar-se rumo ao destino. Os olhos dela se avivam ao lembrar o episódio que a fez entrar definitivamente para o mundo da vaquejada. Um mundo que lhe reservaria ainda as surpresas do amor.

Numa das Missas do Vaqueiro, a morena de tez bronzeada pelo sol sertanejo surpreendeu pelas doçuras do amor. Encantou-se pelo vaqueiro Fernando cujos olhos azuis desassossegaram-lhe o coração. Encontrara o companheirismo de um homem que teve a sensibilidade de entender e compartilhar com ela a paixão pela vaquejada. Tanto encanto rendeu ao casal três filhos: Júlio, Iris e Ângela.

Dezessete anos depois de casados, Fernando deixou ser seduzido pela face serena da moça Caetana, a morte para os sertanejos. O que Deus uniu só ele separa. Fernando foi então descansar no divino. Libertou-se da tristeza que lhe acometera depois de ter sido enganado por um mau negócio feito pelo melhor amigo.

Dina teve que firmar ainda mais a força que lhe é própria. Durante a missa em homenagem ao marido, aprumou a voz para aboiar a história de Fernando. A cantoria melódica que outrora desafiara Luiz Gonzaga em uma das Missas do Vaqueiro entoou toda a dor e agonia pela perda do marido.

Dina é a face do sertão que poucos conhecem. É a face que os autores propalaram nos romances, num possível exercício de futurologia. Dina é a Diadorim, personagem de Guimarães Rosas, “desmontada”. Não precisa vestir-se como homem, ainda que use vestes de vaqueiro. É na riqueza dos detalhes femininos que acontece o “desmonte”. Brincos, anéis, batons, maquiagem, tudo isso mostra uma mulher vaidosa e feminina.

Demonstra um sertão que se envaidece de sua grandeza e de sua força. Um sertão repleto de Dinas que ainda se escondem na hostilidade do lar. Demorou, mas hoje o sertão reconhece Dina, consagrando-a como uma grande Mestra da Cultura, valorizando a arte de aboiar e a figura do vaqueiro.

*Perfil escrito para a disciplina de Laboratório de Jornalismo Impresso. A Entrevista com Dona Dina será prublicada na Revista Entrevista N°21, uma publicação do sétimo e sexto semestres do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC).

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Matéria na Envolverde

Minha reportagem sobre a Amazônia foi publicada no site da Envolverde =D

Para ler, basta clicar no link abaixo:

Nem tudo que reluz é ouro. Pode ser soja

A Reportagem foi publicada originalmente na revista Meio Ambiente e Mudanças Climáticas na Amazônia, que reúne matérias de participantes do Laboratório Ambiental de Jornalismo promovido pela Fundação Konrad Adenauer, realizado no mês de junho, em Santarém (PA). Para baixar a revista em PDF, basta clicar no link ao lado: http://www.kas.de/wf/doc/kas_15054-544-5-30.pdf.

Valdemar Cabral Caracas *

Desilusões, perdas e alegrias:
estórias de uma história viva
ou a multiplicidade da vida.

Isabelle Azevedo


“Desilusão, desilusão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão”**

Não se sabe ao certo quando ela se instalou por ali, ditando o ritmo das coisas. O fato é que entrou sem ser vista e foi se acomodar bem ao lado da cadeira de balanço preferida dele. A voz suave dela canta uma ode cujos versos tecem lembranças de cem anos de história e embala os momentos revisitados em memória. Ah! A Desilusão. A impressão é que ela parece dar cadencia à vida de Valdemar Cabral Caracas.

Voltando um pouco na história deste ícone que foi ferroviário, esportista, cronista, comentarista, percebe-se que a desilusão só se instaurou mesmo na velhice. Mas o que se esperar da vida quando já se viveu cem anos? Não pedira para viver isso tudo. Cem anos! Talvez tenha tido um pouco de sorte. O pai, Francisco Caracas Sobrinho, por exemplo, morreu aos 36 anos. A irmã de quem mais gostava também morreu ainda jovem. Perdeu a mãe, Francisca Cabral Caracas, os filhos homens ainda bebês, os amigos queridos e por último a esposa Anete com quem viveu por sete décadas. Foram embora todos. Coisas da vida. Uma sucessão de perdas que permitiram aos poucos que a desilusão entrasse e tomasse conta da dança da solidão sugerida nos versos da música.

Mas a vida não é feita só de perdas. Valdemar também é homem de conquistas. As lágrimas teimam em não cair deixando os olhos marejados, indicando as lembranças que vão sendo rememoradas. São muitas. São muitos os anos vividos e poucos os que conseguem atingir essa idade com tanta lucidez. Às vezes, uma lembrança leva à outra, que leva à outra e outra até o assunto inicial se perder. A memória estanca de uma vez. “Onde é que eu estava mesmo?” E o assunto é retomado. “É história, eu tenho história”.

A família saiu de Pacoti, município cearense localizado a 100 quilômetros de Fortaleza, quando ele tinha apenas cinco anos de idade para vencer as misérias do interior cearense. Com a morte do pai e da irmã, teve de trabalhar cedo para sustentar a casa. Trabalhou em farmácias e no comércio, antes de entrar como datilógrafo da Rede Viação Cearense (RVC).

Foi na RVC que encontrou duas paixões: o futebol e a política. O espírito de liderança permitiu-lhe tornar-se o líder dos ferroviários, tanto na classe trabalhadora quanto no futebol. Explica-se. Valdemar foi uma forte influência junto aos trabalhadores da Viação Férrea. No futebol, a outra paixão, Valdemar deixou o campo de terra onde jogava bola na Praça da Lagoinha ainda menino para ocupar os gramados do campo de futebol com a fundação do Ferroviário Atlético Clube, em 1933. O time coral foi fundado a partir dos dois times em que atuavam os ferroviários da companhia. Valdemar dirigiu o “Ferrim”, chegando a conquistar o título de Campeão Cearense em 1945. Nunca quis presidir o Ferroviário. A explicação é que era ele quem mandava em tudo.

De fato, a vida foi generosa com Valdemar, concedendo-lhe uma rica história com muitos “causos” engraçados. Teve o prazer de conhecer personagens que muitos só conhecem dos livros de história. Viu de perto Lampião e o cangaço; tomou café com Floro Bartolomeu, que participou da Sedição de Juazeiro, e jantou com Padre Cícero, chegando a conversar com ele. Aliás, conversar não. “Padre Cícero não deixava ninguém conversar, ele falava sozinho”.

Mais tarde conheceu e travou valiosas amizades com a literatura cearense ao lado de Blanchard Girão e Eduardo Campos, já falecidos, e de Cid Caravalho, amigo de longas conversas ao sabor das delícias do “Raimundo dos Queijos”.

Uma vida agitada. Mas muitos se foram. Ficou a desilusão por ainda estar por estas bandas. Ficou sozinho. Besteira. Quando chegar a hora de ir, que ainda vai demorar muito, a festa lá em cima estará completa. Os amigos de perto e de longe o saudarão. E a desilusão será apenas impressões em versos de música.

*Perfil escrito para a disciplina de Laboratório de Jornalismo Impresso. A Entrevista com Valdemar Caracas será prublicada na Revista Entrevista N°21, uma publicação do sétimo e sexto semestres do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará.

* Trecho da música Dança da solidão, de Paulinho da Viola.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Status

Ocupada não. Ocupadíssima. Prometo voltar assim que o semestre da faculdade acabar e o turbilhão de coisas se aquietar.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Cartas

Do alto de uma nuvem qualquer, 24 de outubro de 2008.

Então,

Por aqui nada bem. Daqui do alto não é tão bonito quanto me disseram. Só vejo nuvens pesadas, densas, com cara de choro, prontas para desabarem num aguaceiro só. De mais a mais, só turbulências. Passa, mas logo volta. Começo a ficar enjoada. Demoro a enjoar, mas quando isso acontece... Ih!!!! Melhor sair de perto. Fico imaginando o dia em que vou ver o céu com poucas nuvens e aquele azul cujo espelho é o mar (Ah, mar...Ah, mar... Amar! )*. É, talvez fique só na imaginação. Quando eu recolocar os pés no chão e me aprumar direitinho, conto o resto das histórias. Não se preocupem. Vou me demorar um pouco, mas volto. Ando
naqueles dias em que se uma gota, uma dessas da minha nuvem, cair no oceano pode instaurar o caos e a desordem. É isso. Não vai ter despedida, nem beijos, nem abraços.



______

* Do episódio de "Hoje é dia de Maria: segunda jornada".



quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Três partes para um todo

Três partes compõem-me o todo: a parte de mim que é amor, a parte de mim que é paixão e a parte de mim que é desejo. Irmãs. Viveram juntas até bem pouco tempo. Mas um dia acharam que cada uma deveria seguir um caminho, sem se perderem de vista. Rompiam assim o equilíbrio instaurado. Partiram.

A parte de mim que é amor perdeu-se na primeira vez em que ousou sair sozinha. Arrasada por ter errado o caminho, voltou para casa e dormiu para não mais acordar. Um dia vai despertar novamente e voltar a sair como se nada tivesse acontecido. Viverá a sorte de amor tranquilo.

Diferente da irmã, a parte de mim que é paixão é vida. Ninguém ama mais a vida do que a parte de mim que é paixão. É também a parte de mim mais ingênua. Faz o jogo do contente. Crê que sempre as pessoas podem ser melhores e que podem gostar da parte de mim que é amor, a irmã ausente.
A parte de mim que é paixão encasquetou de jogar paciência. Fica horas a fio jogando um jogo onde cada lance errado pode custar uma ferida ou uma mágoa. É um jogo perigoso. Um dia, alguém há de se ferir mortalmente. Quando isso acontecer, a partida termina, embora outra possa recomeçar. Só quando aparecer a mensagem game over é que tudo se finda ou tudo se desfaz e será cada um por si.

A parte de mim que é desejo é a mais diferente de todas. Adora a sensação de liberdade. Sair é aventurar-se, despertar para o mundo. É volúpia. Dada aos prazeres do mundo. Escolheu esse caminho. Contudo, apresenta defeitos como toda parte de mim que é mortal. Pouco se importa com o mundo a sua volta. Foi criada pela sociedade de consumo. É egoísta, não respeita o tempo dos outros, tudo tem que ser do seu jeito e a sua hora. Quer tudo, mas nada tem.

A parte de mim que é desejo adora implicar com a parte de mim que é paixão. Apesar disso, se dão muito bem. Opostos complementares. Quando a parte de mim que é paixão quer desistir do jogo de paciência, é a parte de mim que é desejo que a acalma e indica o caminho da melhor jogada. Talvez seja a parte de mim mais equilibrada e a mais forte de todas. Esconde em doçura a frieza com que enxerga a vida. Não chora. Guardar para si todas as lágrimas e ainda ajuda a enxugar as lágrimas de parte de mim que é amor e parte de mim que é paixão.

Três partes compõe-me o todo. Irmãs tão diferentes que optaram escolher caminhos diferentes. Agora, buscam reencontrar o equilíbrio do todo. Um eixo que as conduza. Três partes em um único todo.