sexta-feira, 19 de junho de 2015

A caminho do Rio

A ansiedade reside em mim.
Quero tocar os teus lábios 
Sorver o teu gosto
Enquanto a minha língua prende a tua.
Quero sentir a paixão invadindo o meu corpo.
O fogo a me consumir.
Quero gozar e sentir o teu gozo.
Amantes ofegantes pelo fim do longo período de ansiedade 


***

domingo, 17 de maio de 2015

Entre transas.

Teus olhos fixam silenciosamente sobre mim. Fico insegura. Não sei o que querem dizer. Digo qualquer coisa para ver se você responde. E você apenas continua a me observar. Dá de ombros. Vejo que não quer responder. A insegurança aumenta e me despertar um turbilhão de ideias. Penso que você a qualquer momento vai pedir para terminar com aquilo. Nada mais de encontros ao fim do expediente. Afinal, você tem mulher e filhos e eu sou apenas diversão. 

Vejo você acender um cigarro e soprar a fumaça vagarosamente. São momentos de tensão. Pergunto se vamos pernoitar naquele quarto de motel. É tarde. O cansaço da sexta-feira toma conta do meu corpo. Você diz que prefere ir para casa. Não sabe que desculpa inventar para a esposa. Ela anda desconfiada. Melhor não vacilar por coisas pequenas. 

Começo a recolher minhas roupas e me pegunto se o que acontece entre nós são coisas pequenas. Aliás, me pergunto se existe um nós. Ele diz então que não devo esperar nada em troca. Que eu aceitei aquela situação desde o começo. Concordei com aquilo tudo.

Concordo com tudo. Não quero perdê-lo. Peço desculpas. Minto e digo que isso não se repetirá mais. Volto para a cama para abraça-lo. Ele me abraça de volta. Corre a mão pelo meu corpo, até chegar ao meu sexo. Diz que quer mais. Me sinto usada tal qual um objeto. Ele ignora meus sentimentos em busca do seu prazer. Transamos. Ele me penetra, mas não estou ali. Estou a pensar se aquilo ali vale a pena.

Meus pensamentos vão mais longe. Faço uma retrospectiva da minha vida. Quero saber quando deixei de me amar para amar aquele homem que está ali, me penetrando com força como se fosse a última trepada da sua vida. Ele goza. Levanta-se para ir ao banheiro. Não importa se eu gozei. Volta já vestido. Diz que daquela vez não tomaremos banho juntos. Já é madrugada e ele precisa ir para casa. Visto a minha roupa. saímos do motel. Cada um para sua casa, suas vidas, como se nada tivesse acontecido. 

sábado, 7 de março de 2015

Habitações


Habita em mim o desejo por teus beijos.
Habita em mim o desejo por tua pele. 
Habita em mim o cheiro do teu corpo. 
Habita em mim a maciez da tua voz.
Habita em mim a ânsia do reencontro.

Habita em mim uma outra mulher.
Feita de desejo, cheiro, poesia e vida.
Habita em mim um outro tempo
Feito de maturidade, coragem e ousadia
Habita em mim tempos de liberdade
Feitos da liberdade que expresso.
Habita em mim a paixão que quer morada.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Sobre fobias...

Burófobo, segundo a Academia Brasileira de Letras (ABL), é quem tem medo da burocracia da administração pública.

Exemplo: Você passa um ano e dois meses para resolver uma pendência burocrática com a desculpa de que o órgão é sempre muito cheio, tem filas e blá blá blá. Surge uma greve no órgão e você já vê mais um motivo pra prorrogar a resolução daquele problema.

Até que... Não tem jeito! Você vai ter que resolver o problema. Aí descobre que é possível resolver tudo pela internet, inclusive pagar as taxas do banco pelo aplicativo do celular. E todo sofrimento burocrático é resolvido em menos de quinze minutos.

O que você aprende com isso? Pois é, a burofobia é um atraso de vida.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Mafalda: 50 anos


Mafalda, a personagem mais famosa do cartunista argentino Quino, fez 50 anos no último dia 31 de janeiro. Mas parece que o tempo não passou para a garotinha de pouco mais de seis anos. Continua com a mesma visão sagaz sobre as coisas e a questionar um mundo onde as pessoas são incapazes de compreender o outro e a si. Um mundo doente, ainda em busca de paz, que tenta avançar na igualdade entre homens e mulheres e onde a liberdade ainda é tão pequena quanta a personagem homônima que compõe a turma de Mafalda junto a Manolito, Susanita, Felipe, Miguelito, Guille, os pais e Burocracia, a tartaruguinha.

Foi a garotinha certeira em suas críticas que me levou a criar esse blog. Mafalda tinha uma opinião formada sobre tudo e eu também queria ter a minha. Mais do que isso, precisava publicá-las. O idealismo, uma característica da personagem, é um outro traço que me aproximava dela. Queria salvar o mundo, mas não sabia como. E ainda não descobriu. Por isso, suas tirinhas ainda provocam tantas reflexões ou impressões sobre a vida e o mundo.


Não dá pra falar de Mafalda sem parabenizar Quino, o criador. Brilhante na construção das histórias, nas característica físicas, sociais e de classe de cada personagem e nos trocadilhos. Liberdade é pequena, porém perspicaz e falante. Burocracia, a tartaruga, não teria melhor referência para traduzir sua lentidão. E assim, o universo construído por Quino vai ganhando adeptos e fazendo com que Mafalda esteja viva e cada vez mais jovem.  




segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Maniqueísmo, não vai ter copa e o reino da fantasia

Particularmente, não gosto da abordagem que a mídia e as redes sociais ditas “progressista” têm feito dos movimentos anti-copa. Estão indo na mesma lógica da Imprensa burguesa: o de criminalizar o movimento que é legítimo. Vão num viés tão governista que me assusta. São mais governistas do que, se duvidar, o próprio governo. São incapazes de acrescentar qualquer criticidade aos processos do "Não vai ter copa" e do "Vai ter copa". Qualquer movimento para eles é mais do mesmo: a classe média ou os coxinhas. Não há politização do debate e tudo se configura num discurso maniqueísta.

Sinto falta de um grande debate político e ideológico sobre as oportunidades e problemas da copa. A copa é para quem e de quem? O bonde está passando e não conseguimos debater um terço do que poderia ser feito. Um sinal de que os grupos que estão a frente disso não são tão mobilizados quanto se dizem ser. Ainda acredito no campo progressista como mobilizador das massas.

A copa tem problemas. Financiamos todo o evento privado de uma empresa corrupta como é a Fifa. Estamos pagando as obras para grandes construtoras. Estamos, mais uma vez, à mercê do capital financeiro. Assim como estivemos durante todo o governo Lula e Dilma, independente da copa ou não. Financiamos tudo isso a custa da remoções de populações, de morte dos trabalhadores.

Sim, a Copa têm problemas. Mas é também uma oportunidade. Estamos investindo em mobilidade urbana, saneamento, mão de obra qualificada, geração de emprego e renda, portos, aeroportos, e toda a infraestrutura necessária para que o país continue avançando. A copa é, portanto, uma grande oportunidade. 

Agora é preciso que isso seja dito. O movimento "Não vai ter Copa" faz uma análise política e conjuntural muito fantasiosa ao assim se intitular. Primeiro que não comunica nada. Não vai ter copa por quê? Por acaso vão implodir os estados? Incendiar ônibus? Quebrar hotéis? Não, Dilma resolveu acabar com tudo isso e cancelar a copa?

É aí que está o perigo de negar um evento que está prestes a acontecer. A negativa causa pânico e gera dúvidas sobre as estratégias e táticas do grupo. Para uma população que sofre cotidianamente com a violência, o que se menos espera é que ela seja utilizada. Isso vale para manifestantes e polícia. 


A fantasia do "Não vai ter copa" coloca em dúvida uma outra questão. E quando esse evento acabar e eles perceberem que o problema não era a copa, mas o modelo de desenvolvimento que o Brasil está adotando? Parece que o gigante anda sonhando acordado. Quem conta pra eles?

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Microconto sobre o tempo

O tempo deu uma volta enorme. Fez que foi, voltou, mas foi de novo. Mais uma vez voltou. E outra vez foi, e dessa vez sem saber se voltava. E não é que voltou? Não aguentando os impasses do mundo, foi de novo. Foi. Passado. Não há volta. Terminou ali o que nunca havia começado.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Direito ao aborto: por uma legislação sem restrições

Escrevi este texto para o Blog da Marcha Mundial das Mulheres, por ocasião do 28 de setembro, dia latino-americano e caribenho de luta pela legalização do aborto.

Direito ao aborto: por uma legislação sem restrições

O ano de 2013 não tem sido fácil para a garantia dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Foram inúmeras as tentativas das forças conservadoras em violar esses direitos seja através de projetos de lei como o “Estatuto do nascituro”, seja pela ofensiva em vetar a lei, sancionada pela presidenta Dilma, que garante atendimento a vítimas de violência sexual ou ainda pela massificação, principalmente nas redes sociais, de um discurso “pró-vida”, na qual a vida da mulher é o menos importante.

Grande parte desses fatos traz o aborto na centralidade de uma disputa que deve se intensificar ainda mais em 2014. É forte a possibilidade do tema voltar à pauta eleitoral graças à conjuntura política que se mantem refém das forças conservadores em prol de uma governabilidade.

Nesta semana em que se aproxima o 28 de setembro, dia latino-americano e caribenho de luta pela legalização do aborto, é preciso fazer a reflexão de que o debate sobre o aborto está longe do entendimento de que o assunto é um direito a ser legalizado e sim, deve ser tratado como caso de saúde pública, sendo função do estado prover o aborto seguro e gratuito.

Argumentos provenientes de valores machistas, misóginos e de uma moral religiosa impedem que o Brasil avance na legalização do aborto. A lei que regulamenta o aborto, que data de 1940, ainda é extremamente restritiva quanto a esse direito, tornando criminosa a mulher (e apenas a mulher) que pratica o aborto. Há raríssimas exceções. O direito é concedido apenas em casos em que a vida ou a saúde da mãe está em risco, em casos em que a gravidez é proveniente de violência sexual ou quando é comprovado anencefalia (má formação congênita no cérebro).

Embora haja tamanha restrição, o aborto é uma realidade no país. A Pesquisa Nacional do Aborto realizada em 2010 pela Universidade de Brasília (UnB) revela que uma em cada sete brasileiras entre 18 e 39 anos já realizou ao menos um aborto na vida. Ao menos um quarto desses procedimentos levam a complicações pós-abortamento que podem levar as mulheres a ficarem estéreis ou terem a saúde comprometida por toda a vida. A cada dois dias uma mulher morre no país decorrente da prática insegura. Muitas dessas mortes não são contabilizadas nos números da mortalidade materna do país, o que dificulta uma resposta a nível de políticas públicas para este indicador.

Experiências em países como o México e o Uruguai onde a legalização do aborto é uma realidade, o número de mulheres que morrem caiu drasticamente. No Uruguai, esse número chegou a zero. Segundo dados oficiais daquele país, não foi registrada a morte de nenhuma mulher que abortou de forma regulamentada entre dezembro de 2012 e maio de 2013. É preciso ressaltar que o aborto não é um método contraceptivo, ele é o último recurso para se impedir uma gravidez indesejada.

No Brasil, uma legislação sobre a interrupção voluntária da gravidez ainda carece de uma ampla e profunda discussão entre a esfera governamental, o legislativo federal e a sociedade, em especial as mulheres, detentoras dos corpos e das vidas. Entretanto, é necessário ficar atentas aos projetos que tramitam no legislativo sobre o tema.

Há inúmeros deles que versam sobre a questão do aborto. Esses projetos podem ser divididos em categorias como: os que propõem aumentar as restrições atuais, aqueles que querem reduzir as restrições ou que tratam o aborto de forma acessória. Há aqueles em que o caso é tratado meramente como uma ação individual, não dando nenhuma garantia de assistência médica às mulheres. Há ainda projetos como o “Estatuto do Nascituro” em que o sujeito pleno de direito é o óvulo fecundado, passando a ter mais direitos do que as mulheres.

Neste 28 de setembro, é preciso sair às ruas para reafirmar que a luta no Brasil é por uma legislação que conceda amplos direitos para as mulheres, separando a sexualidade da reprodução. O aborto tem de ser uma escolha da mulher, sem que haja qualquer tipo de constrangimentos e violências de ordem moral, psicológica, ética e médica recaia sobre elas. Além disso, sobretudo, é preciso parar essa epidemia de mulheres morrendo em consequência de abortos clandestinos. É preciso dizer: legalize, é pela vida das mulheres!