sábado, 15 de março de 2008

Música da semana

Essa música é maravilhosa. Aliás, o albúm " O Assobio da Cobra", doa portugueses Manuel Paulo e João Monge, é todo maravilhoso. Lembrei dessa música. Quero um abraço circunflexo.

Samba de acento

Vamos por os pontos nos is:
Eu vou atrás do til dos teus quadris
Que til e tal
Cobra no areal
Eu sei que ponho o acento grave em tudo
Mas tu libertas o acento agudo
Por isso o til que dás
Nas ancas é capaz
De me por a dizer coisas sem nexo:
Lua, golo, aliás,
Gata no banco de trás.
Num abraço circunflexo

[Do disco, "O Assobio da Cobra". Apresentado por Manuel Paulo, com letras de João Monge. Participação de Arnaldo Antunes ."Só perante o amor avaliamos a nossa total fragilidade". J. Monge]

quarta-feira, 12 de março de 2008

Pensamentos soltos 2

Teve um tempo que achei que tudo fosse verdade. Foi um desses tempos bobos que se prolongam, vão ficando e, quando damos conta, se apossam da gente. Mas foi só por um tempo. Eu espero. Agora, tudo se aprumou de novo. Já não temos o mesmo tempo... O hoje se fez amanhã.

domingo, 2 de março de 2008

Pensamentos soltos 1

Precisando escrever resoluções de ano novo. Será que ainda dá tempo?

Duas Cores - Mombojó

Nunca postei texto de outros autores por aqui. Mas tem uma música que tem me acompanhado muito por esses dias. Lembro dela até a exaustão. Depois ela me vem de novo à cabeça como se me dissesse o que fazer. E de novo a exaustão. Então penso e repenso. Mas não chego a conclusão nenhuma, apesar de elas serem tão óbvias.

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Duas Cores - Mombojó

Agora eu sei o que quero enxergar
Esse colorido não devia mais me enganar
Porque a cor deforma
Quando a luz vem a brilhar
E assim seu olho começo a decifrar

Dai-me outra cor
Que não seja a do seu olhar
Dai-me outro amor
Que venha pra me perpetuar
Dai-me outra cor
Que não tenha o que eu quero enxergar
Dai-me uma dor
Que sirva para eu acordar
Dai-me outra cor, dai-me um amor, dai-me uma dor

Pelas esquinas que eu andei
Nenhuma delas te encontrar
Mas eu tou sempre por aqui
Quando quiser, é só chamar
Andando reto, sem destino
Vivendo sempre do passado
Não quero mais me desmentir
Eu não vou mais te procurar

Pelas esquinas que eu andei
Nenhuma delas te encontrar
Mas eu tou sempre por aqui
Quando quiser, é só chamar
Andando reto, sem destino
Vivendo sempre do passado
Não quero mais me desmentir
Não vou mais te procurar


Construir

Entre fadas, duendes, borboletas encantadas, sóis, cirandas e redes, descubro a vida que me convém. Luto por um mundo justo e ambientalmente sustentável. Não apenas para mim. Mas para nós. Para todos. E isso não são só sonhos e utopias. É uma realidade que se faz urgente.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Sensações

Era ali do alto de sua imaginação, transpassando as fronteiras do indivisível, que ela soltava o grito mais profundo. Sentia uma imensa vontade de gritar. Gritaaaaaaaaaarrrrrrrr. Ia até onde os outros não conseguiam chegar só para dizer algumas palavras que ecoavam e se perdiam. Ecoaaaaaaarrrrrr. Ninguém a ouvia? Tinha a impressão que estava sozinha no meio do nada. Estaaaaaaaaarrrrrrrr. Não estava. O que ela não sabia era que alguém a observava. Observaaaaaaaaarrrrrr. Todavia, estava perdida no meio do tudo. Tentava se encontrar. Encontraaaaaaarrrrr. Ora, ora. Perdida. E então? Será que deveria esperar pelos ventos? Esperaaaaaaaaaarrrrrr.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

"Esse blog tá ficando muito meloso. Vou arranjar um texto melhor para postar aqui."
[Teresa Cristina. Ela ainda não arranjou tempo de aparecer e postar o que quer por aqui. Deve fazer isso em breve. Tudo vai mudar.]

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Amor: palavra que não volta

Levou a mão a boca como se quisesse prender a frase que queria sair. Apesar de saber que aquilo não daria muito certo. A frase subia-lhe pela garganta com uma voracidade e rapidez incrível. Era como um vulcão prestes a explodir. Tentou segurá-la. Mas ela fora mais esperta. Aproveitou uma brecha entre os dedos e escapou. Então, o que se ouviu foi um sonoro “eu amo você”. Assim. Sem mais nem menos letras.

Tudo ficara em silêncio. Ele, atônito, não sabia se respondia ou se ignorava aquilo. Mas estranhamente optou pelo silêncio. Ela, também atônita, quis consertar a situação. Não sabia como. Preferiu emudecer também. E ficaram os dois ali. Sem se olharem. Apesar de sentirem que estavam se olhando com uma grande profundidade. A respiração dela tornou-se ofegante. Estava angustiada com o que acabara de dizer. Fora precipitada. Muito precipitada. Sabia disso. Mas não tinha mais jeito. Não podia fazer a palavra voltar. Se pudesse...

A respiração dele também se alterou. Não esperava por aquilo. Dizer um “eu amo você” assim. Daquele jeito? Não esperava mesmo. No fundo não sabia o que dizer. Tinha pena dela. Não sabia como dizer que aquele sentimento não era recíproco.

Não sabia quanto tempo estavam ali. Olhando um para o outro sem se verem. Parecia que havia passado dez minutos. Um século, talvez. Ou uma eternidade. Parece que tudo havia parado, esperando que a situação se definisse. O vento então parara de alisar os cabelos dela. A gota de água teimava em não descer. Parara de escorrer da garrafa com o “eu amo você”. Estava suspensa, como se estivesse com medo de cair e trazer consigo o caos.

Não sabiam precisar o tempo. Mas fora tempo suficiente para acabar com aquela noite. E com as próximas noites. Os próximos dias... Não tinham mais o que conversar. Nunca mais teriam. Ou talvez tivessem.

Ela pelo menos queria dizer o quanto o amava. Repetiria o “eu amo você” um milhão de vezes se preciso. Por mais que ele não acreditasse. Ela repetiria sim. Faria juras de amor e tudo quanto tivesse direito.

Tinha que se preocupar com o depois. Haveria um depois? Um depois como o de antigamente? Ora! Que mal haveria num “eu amo você”. Tanto mal assim?