sexta-feira, 21 de setembro de 2007
How long would you wait for a love?
domingo, 16 de setembro de 2007
Rimel e sombra
Dormi de rímel e acordei de sombra. Novidades? Nenhuma. Isso sempre acontece. A gente finge que supera. Engole um seco. Talvez nem tão seco assim. Melhor molhar a garganta com um pouco de bebida. A cabeça começa a girar, o coração acelera e o corpo fala uma língua estranha como se dissesse “desce daí, volta para cá menina”. Então, você nem teima em subir, desce correndo. Fica com um medo... Mas não supera. Guarda tudo para si. Isso sempre acontece. E fica no a gente finge que supera. Melhor não engolir seco. Respirar. Boa alternativa. Respira fundo. Molha o rosto. Conta até três. Passou? Melhor voltar ao trabalho... O trabalho engrandece o homem. Paga as contas no final do mês. Meia volta. Nada de dormir de rímel. A sombra demora muito a sair...domingo, 19 de agosto de 2007
sábado, 7 de julho de 2007
Comunicação Comunitária - Oficina de Leitura Crítica da Mídia
sábado, 19 de maio de 2007
O Quarteirão da Saúde
O serviço de consultas populares começou há seis anos, com a instalação da Clínica São Paulo, a maior e mais bem estruturada das clínicas. Depois, inúmeros outros consultórios médicos foram se estabelecendo no mesmo quarteirão, bem ao lado de uma grande variedade comercial como depósito de reciclagem, motéis, barbearia, pequenos bares e lojas de artesanato. A vizinhança parece conviver em harmonia. Mas, vez por outra, é possível ouvir as "meninas" que batem ponto próximo ao motel reclamar da pilha de gente que chega todos os dias aos estabelecimentos. "Esse pessoal das clínicas ficam (sic) tudo em cima da gente, aí na porta do motel, ficam tudo em cima das putas", reclama uma delas ao bicheiro de plantão, o "tio do Paratodos".
As clínicas funcionam em pequenos prédios onde as salas são divididas por paredes de madeira e cedidas a médicos autônomos pelo dono de cada consultório. O aparente improviso do ambiente não os desqualifica. O lugar é organizado e limpo. A única ressalva feita é ao calor insuportável que toma conta da recepção e é comum a todas elas. O apelo religioso é visível em cada estabelecimento médico. O paciente pode, por exemplo, procurar o "caminho da cura" junto a Santa Clara, pedir intercessão a Nossa Senhora das Graças ou simplesmente orar próximo aos inúmeros crucifixos expostos nas paredes das clínicas. Nem sempre é preciso agendar a consulta; caso ainda haja vagas para a especialidade desejada, basta chegar e pagar um valor que varia entre vinte e cinco e trinta reais, dependendo de cada lugar.
Os pacientes são oriundos dos mais diferentes bairros de Fortaleza. Há gente que vem do interior e até de outros estados. Muitos não chegam a procurar um posto de saúde. Outros procuram as clínicas populares insatisfeitos com o serviço público oferecido. "SUS é algo que colocaram na cabeça da gente", afirma Eli Ribeiro Domingues, paciente que pela segunda vez procura o serviço popular. Eli mora em Manaus onde, segundo ela, não existe médico. De férias em Fortaleza, ela aproveita o preço acessível para fazer exames com o marido. "No ano passado meu marido fez uma série de exames em uma clínica particular de Manaus e gastou R$ 1.200. Aqui, na clínica popular, ele gastou R$ 300", afirma comparando os preços com o atendimento privado.
SERVIÇO: Clínicas Populares. Rua Dr. João Moreira, próximo a Santa Casa. Preço: R$ 25 a R$ 30.
(Confira o texto na íntegra na segunda edição do Jornal Cidade em Pauta que deverá ser distrubido já na próxima semana)
Atendimento popular se espalha pelo Brasil
O Ceará não foi o primeiro a oferecer o sistema popular. O estado de Pernambuco é pioneiro na abertura de consultórios populares. O serviço começou a ser oferecido em 1994 com a instalação da primeira clínica no bairro do Ibura, em Recife. Na época, o paciente pagava cinco reais pela consulta médica. A idéia deu tão certo que, em 2000, o modelo de consultas médicas populares já era comum em toda a região metropolitana.
Em Salvador, o modelo também faz parte de quem busca alternativa ao atendimento do SUS.Segundo o Jornal Tribuna da Bahia, nos últimos anos, as clínicas populares multiplicaram-se ao longo dos prédios da rua Chile e da avenida Sete de Setembro onde, outrora, estavam instaladas clinicas de médicos famosos que atendiam a classe nobre da sociedade baiana.
Para muitos especialistas, o modelo de clínicas populares é também uma alternativa para as clínicas médicas credenciadas pelo SUS que já não conseguiam se manter com os baixos valores repassados para o pagamento de médico e a compra de materiais necessários para a manutenção das clínicas.
segunda-feira, 16 de abril de 2007
Energia que vai para o lixo
Não é de hoje a comunidade internacional vem alertando para as mudanças que o clima sofreria se nada fosse feito para mudar a forma insustentável de exploração do planeta. Já em 92, quando ocorreu a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente, os ecos de que a humanidade havia seguido o caminho da destruição eram audíveis em qualquer canto do planeta. Mesmo assim, a maioria dos poderosos preferiu ficar surdo. Com exceção de uma parte do empresariado, que viu no oba-oba do grande evento, uma forma de explorar a imagem do ambientalmente correto num boom que declinou quase que concomitantemente ao fim do evento ambiental.
Quinze anos depois, o aquecimento global debuta pelos espaços da sociedade e faz ressurgir o interesse do empresariado pela imagem do ambientalmente correto. Isso não é apenas bondade ou apreço empresarial pelo meio ambiente. Na verdade, o consumo sustentável dos produtos, a partir de conceitos como embalagem reciclável, produto orgânico ou empresa com responsabilidade sócio-ambiental vem atraindo cada vez mais consumidores, principalmente no mercado europeu.
Mas na hora de consumir, baseado em conceitos assim, todo cuidado é pouco. Nem todo produto está dentro dos padrões sócio-ambientais. Os empresários ainda fazem muita confusão na hora de definir o que é Meio Ambiente. Muitos ainda acham que apenas as plantas e os animais, por exemplo, fazem parte do meio ambiente. E homens e mulheres acabam esquecidos da grande teia da vida.
O programa ECOCoelce é um grande exemplo do esquecimento, talvez proposital, da inserção da humanidade no meio ambiente. Criado há poucos meses pela Companhia Energética do Ceará, COELCE, o programa ECOCoelce prevê a troca de material reciclável por descontos na conta de energia.
Até esse ponto, o programa é louvável, está promovendo a coleta seletiva e ajudando a preservar o planeta. Mas a insustentabilidade sócio-ambiental vem logo depois. A COELCE venderá o material entregue pela população para uma empresa privada, tirando o sustento de quase oito mil catadores que sobrevivem, há décadas, do recolhimento desse material em Fortaleza. Esse projeto poderá ainda estabelecer um conflito social entre o catador e os moradores que doam seu material à COELCE, além de fragilizar ainda mais o processo de reconhecimento social do catador.
O ECOCoelce deve ser considerado um retrocesso na luta pela inclusão do catador na sociedade. Uma luta que já conseguiu uma série de vitórias no âmbito nacional, como a assinatura do decreto presidencial que institui a adoção da coleta seletiva nos prédios públicos e a doação do material para as associações de catadores.
A sociedade precisa estar atenta a essas empresas que tentam lucrar com a responsabilidade ambiental sem ter nada de ambiental. Precisam fiscalizar ainda se as ações contemplam a questão ambiental ou se não geram conflitos sociais e ambientais. Senão, projetos como o ECOCoelce não irão ter serventia nenhuma, será uma energia que irá para o lixo.
Isabelle Azevedo


