domingo, 2 de março de 2008
Duas Cores - Mombojó
Nunca postei texto de outros autores por aqui. Mas tem uma música que tem me acompanhado muito por esses dias. Lembro dela até a exaustão. Depois ela me vem de novo à cabeça como se me dissesse o que fazer. E de novo a exaustão. Então penso e repenso. Mas não chego a conclusão nenhuma, apesar de elas serem tão óbvias.
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Duas Cores - Mombojó
Agora eu sei o que quero enxergar
Esse colorido não devia mais me enganar
Porque a cor deforma
Quando a luz vem a brilhar
E assim seu olho começo a decifrar
Dai-me outra cor
Que não seja a do seu olhar
Dai-me outro amor
Que venha pra me perpetuar
Dai-me outra cor
Que não tenha o que eu quero enxergar
Dai-me uma dor
Que sirva para eu acordar
Dai-me outra cor, dai-me um amor, dai-me uma dor
Pelas esquinas que eu andei
Nenhuma delas te encontrar
Mas eu tou sempre por aqui
Quando quiser, é só chamar
Andando reto, sem destino
Vivendo sempre do passado
Não quero mais me desmentir
Eu não vou mais te procurar
Pelas esquinas que eu andei
Nenhuma delas te encontrar
Mas eu tou sempre por aqui
Quando quiser, é só chamar
Andando reto, sem destino
Vivendo sempre do passado
Não quero mais me desmentir
Não vou mais te procurar
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Sensações
Era ali do alto de sua imaginação, transpassando as fronteiras do indivisível, que ela soltava o grito mais profundo. Sentia uma imensa vontade de gritar. Gritaaaaaaaaaarrrrrrrr. Ia até onde os outros não conseguiam chegar só para dizer algumas palavras que ecoavam e se perdiam. Ecoaaaaaaarrrrrr. Ninguém a ouvia? Tinha a impressão que estava sozinha no meio do nada. Estaaaaaaaaarrrrrrrr. Não estava. O que ela não sabia era que alguém a observava. Observaaaaaaaaarrrrrr. Todavia, estava perdida no meio do tudo. Tentava se encontrar. Encontraaaaaaarrrrr. Ora, ora. Perdida. E então? Será que deveria esperar pelos ventos? Esperaaaaaaaaaarrrrrr.terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Amor: palavra que não volta
Levou a mão a boca como se quisesse prender a frase que queria sair. Apesar de saber que aquilo não daria muito certo. A frase subia-lhe pela garganta com uma voracidade e rapidez incrível. Era como um vulcão prestes a explodir. Tentou segurá-la. Mas ela fora mais esperta. Aproveitou uma brecha entre os dedos e escapou. Então, o que se ouviu foi um sonoro “eu amo você”. Assim. Sem mais nem menos letras.Tudo ficara em silêncio. Ele, atônito, não sabia se respondia ou se ignorava aquilo. Mas estranhamente optou pelo silêncio. Ela, também atônita, quis consertar a situação. Não sabia como. Preferiu emudecer também. E ficaram os dois ali. Sem se olharem. Apesar de sentirem que estavam se olhando com uma grande profundidade. A respiração dela tornou-se ofegante. Estava angustiada com o que acabara de dizer. Fora precipitada. Muito precipitada. Sabia disso. Mas não tinha mais jeito. Não podia fazer a palavra voltar. Se pudesse...
A respiração dele também se alterou. Não esperava por aquilo. Dizer um “eu amo você” assim. Daquele jeito? Não esperava mesmo. No fundo não sabia o que dizer. Tinha pena dela. Não sabia como dizer que aquele sentimento não era recíproco.
Não sabia quanto tempo estavam ali. Olhando um para o outro sem se verem. Parecia que havia passado dez minutos. Um século, talvez. Ou uma eternidade. Parece que tudo havia parado, esperando que a situação se definisse. O vento então parara de alisar os cabelos dela. A gota de água teimava em não descer. Parara de escorrer da garrafa com o “eu amo você”. Estava suspensa, como se estivesse com medo de cair e trazer consigo o caos.
Não sabiam precisar o tempo. Mas fora tempo suficiente para acabar com aquela noite. E com as próximas noites. Os próximos dias... Não tinham mais o que conversar. Nunca mais teriam. Ou talvez tivessem.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Voar
Alguém pode empurrar o balanço para mim, por favor? Só não me deixe pôr os pés no chão. A realidade é tão cruel. Prefiro me esconder ali naquela nuvem. Nuvem-coração. Alguém pode empurrar o balanço? Será que estou sozinha por aqui? O balanço. Alguém o empurre, por favor. Mas me faça voar alto. Bem alto. Me faça sentir o vento bater no rosto, o coração querer saltar pela boca, o frio na barriga. Voar bem alto. E alto. E mais alto. Não tenho medo de cair. Se eu cair, que caia nos braços de um alguém.


